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terça-feira, 31 de maio de 2011

Trabalhando com contos


29 de maio, domingo. Ultimo dia de colisão teatral e nada melhor que encerrar esse período com a apresentação do espetáculo teatral ‘A dama da noite’, da Cia. Nau dos loucos. A peça conta a história de uma personagem e sua vida solitária. Um monólogo que retrata essa personagem presa em uma roda hipócrita, como diz a mesma. O que não passa da sociedade cheia de preconceitos e pré-conceitos. Baseado no conto ‘A dama da noite’, de Caio Fernando Abreu, é um texto que relata a morte vista pelo surgimento do vírus HIV, vinculando o amor e a morte a partir da solidão de uma personagem.

A companhia existe há oito anos, desde 2003, trabalhando sempre com contos. Começou com uma pesquisa sobre o conto ‘A metamorfose’, do alemão Franz Kafka. Na época, ao estudar o conto, montamos o espetáculo teatral ‘Uma metamorfose – Contos Kafkianos’ com quatro atores”, disse Marcos Covask, diretor do espetáculo, revelando a preferência da Cia. em trabalhar com poucos atores. Em seguida tentaram uma adaptação do texto “Fim de Partida”, de Samuel Beckett, rompendo a idéia de trabalhar somente com contos. “Embora ‘fim de partida’ não ter se tornado em um espetáculo, passou ser um caminho de percurso”, contou.

Em 2008, iniciou o processo de avaliação do conto ‘dama da noite’, de Caio Fernando Abreu. Um texto que não foi criado para teatro e que por muitas vezes foi adaptado para o mesmo. A companhia sempre trabalhando com o mínimo de atores possíveis resolveu ousar e criar um monólogo. “Queríamos trazer esse texto para a luz dos nossos dias, pois interessava para gente o que ele tinha de chocante, ao abordar a solidão focando nesta característica, não importando se o personagem é homem, mulher ou travesti”, disse Covask. O interessante do espetáculo não é quem é o personagem, e sim o que ele tem a dizer.

Quando José de Brito, ator do monólogo, viu o conto pela primeira vez, não quis falar sobre a proposta do texto, e relatou não ter gostado. “Somente quando fui lendo novamente que reparei o que estava por trás do texto, o que não é óbvio”, contou Brito. A partir disso ele começou a gostar do conto, e foi fazer o que eu acho que é o personagem. Sabia que havia várias adaptações do conto, porém não queria basear em cima delas, e sim, no que ele achava que seria. “Os ensaios foram na minha casa, onde foram feitas, em cima da mesa, as marcações; A partir da leitura conseguimos visualizar um espetáculo”, disse Brito.

Cada coisa foi planejada minimamente: As cartas do baralho, os fetos no cenário, e entre outras coisas. As cartas surgiram por que como foram usados objetos cênicos vindos da mesa em que Brito ensaiava, que ele tinha em seu alcance, ele tinha baralho. “Na mesa da casa dele ficamos com a referência de quem tem sorte no amor, tem azar no jogo, devido a isso achamos legal usar”, contou Covask. Uma coisa muito presente no personagem é a fala dele sobre a morte, e foi assim que surgiram os fetos no cenário. “Queríamos de maneira retratar esteticamente essa morte, e com isso foi surgindo concepções dos corpos bebes plastificados, dando a ideia de um feto, das pessoas ali mortas nos hospitais em potes de vidro”, comentou. Retratando não só a morte física, mas dos desejos, mas dos anseios.

O espetáculo já foi apresentado num total de oito vezes. O cenário é composto por umas rosas e fetos pendurados, o que mostra um pouco o delírio, a fantasia. “É um espetáculo que na nossa cabeça ainda está em processo, pois para mim, esse processo não se conclui enquanto não passarmos por uma experiência de temporada”, revelou Brito. Algumas coisas bastante pessoais fizeram com que Brito encenasse o texto, aliás, uma bela encenação. “Para eu fazer um texto tem que me afetar, pois se não me afeta, não afetará o outro”, afirmou, sintetizando que a simplicidade de determinadas coisas que lhe tocou. 

Falando de forma poética sobre a perda


Neste ultimo sábado, 28 de maio, foi apresentado no Espaço de Cultura Sylvio Monteiro o espetáculo teatral “A noite em que ele não veio”. A apresentação foi pelo ‘Projeto Mostra Colisão’, que contabilizou ao todo nove espetáculos teatrais com oficinas/debates integradas após cada espetáculo. Com um cenário muito bem acabado, o espetáculo teve um belo repertório musical. Amariles (Carla Nunes) estava sempre a esperar por um amor a beira mar, como na noite em que ele, Raul (Madson Vilela), não veio, pois ali, não tinha alma. Um corpo vazio e um amor eterno. Que o mar o traga de volta, mas se não trazer, que junto à leve.

A história se passa no período da ditadura militar. Pescadores presos a uma ilha e contracenando com um protagonista essencial para o espetáculo, o mar. O grupo Nós da Baixada, oriundo do grupo ‘Nós no Morro’ que estabeleceu em 2007 por algumas sedes na Baixada Fluminense, encontra-se no Bairro Cerâmica – Nova Iguaçu. “A apresentação no Colisão Teatral contabiliza a quarta apresentação do grupo, que ainda busca uma identidade para crescer profissionalmente”, disse Anderson Dias, diretor do espetáculo e coordenador do espaço Nós da Baixada desde 2009.

O teatro permite essa construção coletiva, com pessoas tão jovens fazendo um trabalho teatral com seriedade, mostrando a vontade de realmente fazer teatro. O processo de criação do espetáculo teve duração de um ano e três meses. “Começamos pela leitura de ‘Ponto de partida’, do dramaturgo Gianfrancesco Guarnieri, onde a partir disso o elenco começou a pesquisar questões dramáticas desse texto para construir um objetivo”, disse Derson, como Anderson é conhecido por todos dentro do grupo.

“Nada surge do dia pra noite”, disse. Quebrando pedra por pedra para trabalhar com o teatro, o grupo tenta alçar novos vôos. “Desde 2005 temos o patrocínio da petrobrás, mas se não tivéssemos, não seria impossível criar o espetáculo, mas seria muito difícil”, concluiu Derson. Todo o processo foi complicado, conversaram com muitas pessoas para poder enriquecer o trabalho, relatando a questão da omissão ou a não ação de um cidadão no meio que ele vive.

Jessica Meireles e Marcelle Morais foram as autoras do texto. “As duas tem 80 por cento de participação na criação da dramaturgia, mas todos foram participando do projeto dando seus ‘pitacos’ para melhorar o processo”, contou Anderson, exemplificando que Rômulo criou a história de seu personagem. O objetivo do espetáculo é deixar cada espectador pensando no espetáculo e na temática que ele aborda. “Pensamos em um espetáculo e o Derson trouxe e proposta do ‘ponto de partida’, de Guarniere, a partir disso começamos a pensar em contar alguma coisa, passar para a plateia, algo que fizessem vocês pensar, assim como nos fez”, disse Jessica Meireles, que interpretou a personagem Dália.

Inicialmente foram muitos improvisos que geraram algumas cenas ainda presentes no espetáculo. O mar, um protagonista indispensável no espetáculo, foi tratado de forma poética como todo o texto. “Falamos dele como outro ser humano, e a linguagem poética foi uma coisa que fluiu de forma natural”, contou Marcelle Morais, interpretou o Pastor. Além do tipo de linguagem abordada no espetáculo, o mesmo, rompe o espaçamento temporal, juntando presente, passado e futuro. Uma história que relata a perda, o amor e preenche o tablado de mistérios.

Comentários principais sobre o processo de criação e o sentimentalismo, dos mesmos, em relação ao texto:

Ainon, pai de Raul (Thiago Zandonai) – “Quando o texto veio, achamos muito bacana e pesquisamos em todo seu entorno, o que acabou gerando uma bola de neve que a cada dia aumentava mais. Não gosto de personagens dramáticos, pois é uma deficiência minha, mas como ator eu tive que encarar e buscar o que eu tenho de melhor. Senti uma coisa tão paterna e comecei a me colocar no corpo dos parentes que perderam partes de sua família no período da ditadura militar. Fui me envolvendo tanto com meu personagem que coloquei o Raul como se fosse meu filho e eu estivesse sentindo aquela dor. Naquele momento eu ganhei o personagem, ou ele me ganhou”.

Raul (Madson Vilela) – “Para mim, o processo teve início logo quando o Anderson trouxe o texto e começamos a pesquisar tudo, e naquele momento uma coisa me instigou, e ainda é o que mais me instiga ate hoje. ‘Quem eram as pessoas que lutavam pela liberdade e davam a vida pela liberdade do povo? ’, essa era a questão. Até hoje eu pesquiso e minha busca é saber isso, como era essa coisa de peitar o poder, do por que o povo não tinha voz ativa. Meu trabalho é continuo e ainda não consegui finalizar meu personagem”.

Dália (Jessica Meireles) – “Para mim, em relação ao texto, quando começou o processo era muito distante, mas a questão da omissão presente no texto me ganhou e foi sobre isso que eu queria falar. Fui me deparando com omissões de todas as formas presentes na nossa vida, não só a omissão que existe no texto de Guarniere, mas sim, a omissão do amor, de perda. Percebi a covardia do Pastor em não contar o que ele sabe, e percebi o quanto ele foi covarde, porém voltei meu olhar para mim, e percebi o quanto eu sou covarde também. Questionei de que maneira, no momento que eu me calo, eu não dou mais poder aquela mão que bate”.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

O passado nas cartas de tarô

29 de maio, sexta-feira. O espetáculo teatral “Amargas horas” teve sua pré-estreia no “Projeto mostra colisão”. O texto e a direção são do Thiago Morelatto, também ator no espetáculo. O espetáculo é um produto do Projeto Cultural F.A.M.A. (Fábrica de Atores e Material Artístico), uma ONG que trabalha com curso livre de teatro para iniciantes, onde Thiago é um dos professores. 

O espetáculo narra o passado de uma cartomante, que ao estar jogando cartas para uma cliente, vai contando seu passado de quando era uma prostituta. ‘Amargas horas’ conta com quatro pessoas no elenco: A cartomante (personagem principal), a travesti, um cliente assíduo da Mansão, e uma outra prostituta. A peça foi ensaiada no período de dois meses, mas o processo todo foi em um tempo maior. “Comecei a escrever o texto em setembro de 2010, nisso eu passei de dois a três meses indo a bordéis e conversando com prostitutas, travestis, até mesmo alguns clientes”, disse Thiago Morelatto. 

Em fevereiro começou a procura dos atores para os personagens e no ‘Projeto Mostra Colisão’ estão estreando com o espetáculo. “Entramos no colisão com o objetivo de ouvir as críticas para engrandecer o espetáculo”, afirmou Thiago. O espetáculo é ousado, expõe os atores quando encarnados em seus personagens. André Muriarte é o responsável pelas coreografias de todo a peça.

A sombra chinesa acabou atrapalhando um pouco devido algumas formas não ficarem boas. “Pouco tempo para se preparar, e a questão das formas é uma coisa para se corrigir, não era para ser daquele jeito”, contou Morelatto. De acordo com o autor do espetáculo, tudo não se passava de um delírio da personagem principal, sendo muito reforçado na final do espetáculo com a alucinação de estar vendo morte em todas as cartas do baralho cigano. “Critica significa analise e recebemos isso com muito bom grado”, finalizou Alexandre Gomes, presidente do Projeto Cultural F.A.M.A.

sábado, 28 de maio de 2011

Cuidando da saúde


Nesta ultima quinta-feira, 26 de maio, foi apresentado o sexto espetáculo teatral do colisão teatral: “O fim da picada”. O ‘Projeto Mostra Colisão’ além de apresentar espetáculos teatrais, promove uma oficina/debate após cada um deles com três profissionais reconhecidos no campo artístico e cultural, comentando sobre a criação, concepção, objetivo e as técnicas de cada espetáculo. Todos os espetáculos são gratuitos, o que ajuda a fomentar a produção artística e cultural na cidade.

O espetáculo apresentado nesta quinta retrata uma questão didática e educacional, alertando os perigos que a dengue pode causar numa sociedade. Trabalhando com bonecos, o espetáculo havia sido criado para um edital do Sesc Saúde no ano passado, porém só ocorreu o início do processo pelo edital. A apresentação foi pelo Sesc e não pelo edital. “No edital, exigia o uso de bonecos, o que era o foco do mesmo”, disse Malu Saldanha.

Um prova de luta e perseverança vindo de pessoas que querem fazer teatro, é a questão da sonoplastia. “Não temos operador de som, então o som fica atrás da cenografia, tocando direto, sendo todo programado com o tempo do espetáculo”, disse. O espetáculo ousa falar de uma coisa que precisa ser citada e reforçada para a sociedade usando uma linguagem diferente, uma nova forma de falar usando somente o gestual ou Clown mudo, justamente por ser uma coisa muito falada. “É como se estivéssemos falando da dengue, sem falar da dengue”, brincou. Toda a pesquisa foi feita em cima de desenhos animados, e o processo de criação demorou de dois a três meses.

A COMBI (Cia. Brasileira de Interpretação) trabalha especialmente com teatro infanto-juvenil, ligado a educação. Existente há 11 anos (desde 2000), é uma companhia pequena composta por quatro pessoas, o que se torna um pouco complicado, fazendo os atores interpretar vários papéis no decorrer do espetáculo. Mesmo com todos os integrantes da Cia. sendo moradores do Rio de janeiro, acabam tendo um campo de atuação maior na Baixada Fluminense. “Não que seja por uma questão de escolha, mas fazendo uma comparação dos últimos espetáculos, atuamos mais na Baixada”, afirmou Malu. A presença de representantes do governo do estado, um dos patrocinadores do projeto, foi marcada por Sassa e Luiza. Além de crianças da Escola Municipal José Ribeiro Guimarães, tendo faixa etária de sete a dez anos.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

O que você assiste na TV é real?


Nesta ultima quarta-feira, 25 de maio, foi apresentado pelo “Projeto Mostra Colisão” o espetáculo teatral: “À sua imagem e semelhança”. O teatro do Espaço de Cultura Sylvio Monteiro estava lotado. Tinha normalistas, alunos do Colégio Estadual Professor Venina Correia Torres, alunos do Laboratório Cultural e dentre outros. O Projeto é uma mostra de espetáculos teatrais tendo após cada peça uma oficina/debate com três profissionais na área artística e cultural.   

A peça faz uma crítica bem humorada e exacerbada, ou cítrica, sobre a influência que a televisão exerce nas pessoas, inclusive as novelas. Onde em uma família aparentemente perfeita, que não há perfeição alguma, começa a decair até ter um ‘Grand finale’ que não tem como adivinhar. Com personagens faceiros e maquiagem excessiva, valendo a pena ressaltar: muito bem feita, o elenco conta com quinze atores. A peça é fruto da avaliação final da turma do CTI (Comunidade Teatral de Irajá). 

“Não somos uma companhia, mas sim, um movimento teatral chamado CTI (Comunidade Teatral de Irajá), tendo funcionalidade no SENAC de Irajá”, disse Ribamar Ribeiro, diretor do espetáculo e professor no CTI. Após a formatura, o espetáculo se torna produto da CTI, como muitos outros. “À sua imagem e semelhança” estreou ano passado, e foi um estudo dentro de teatro narrativo, especialidade de Ribamar. “Uma estrutura mais literária colocando a mesma para uma linha dramatúrgica teatral”.

O curso começou em agosto de 2009, onde se passa por todo o processo de avaliação e de estudo. São cinco avaliações, sendo a ultima, montagem de espetáculo. Em junho de 2010, estreou o espetáculo, e nos dias de hoje só faz algumas reformulações e apresentações do mesmo. A peça está prestes a completar um ano no próximo mês. Quando o espetáculo estava sendo montado, a cena de abertura foi a que Renato Neves, participante da mesa de debate do colisão teatral, mais gostou. “Calhei de cair no dia do espetáculo em que eu acompanhei todo o processo”, brincou Renato.

Adaptação de contos infantis


Chapeuzinho Vermelho (Paula Soares) chorado com medo do lobo
Nesta ultima terça-feira, 24 de maio, foi apresentado o espetáculo teatral “Chapeuzinho vermelho pede socorro”, a quarta peça do projeto colisão. O espetáculo é do “Valeu Produções”, e conta a história da chapeuzinho vermelho (Paula Soares) adaptada, com dois dos três porquinhos na história. O lobo mal (Erick Malvão), presente na maioria das histórias infantis, não ficaria de fora dessa aventura.

A proposta inicial da “valeu produções” era de ser uma companhia. “Eu e uns atores que não faz mais parte, tentamos fazer isso, porém acabei fazendo tudo sozinho”, Erick Malvão. Foi juntando-se com uma ou duas pessoas, e acabou montando a produtora. A idéia, ou objetivo, da produtora é pegar quem não é profissional e os fazer mostrarem trabalho, sendo assim podendo se tornar profissionais. “Sou diretor de teatro por insistência; Sou formado em letras, porém na área artística conto somente com algumas experiências no tablado”, afirma.

A produtora que se apresenta em várias escolas, não tem somente elas como foco, assim como focam no infantil, porém trabalham com teatro adulto na parte de improvisação. No espetáculo, em determinadas horas os personagens dublam músicas. “Trabalho com atores iniciantes, então é difícil, ensinar a cantar; O meu sonho é que os atores cantassem, e estamos tentando fazer isso, chegar nesse nível”, disse.

Como a intenção da produtora é de montar um grupo, estão lutando arduamente por isso, porém nunca conseguem dar continuidade, pois alguém sempre sai. “Chega à produtora e quer atuar, mas arrumou um emprego de telemarketing, daí sai”, exemplificou Malvão. O grupo acaba não se formando, o que faz concentrar o trabalho em cima dos que estão. Em uma determinada cena do espetáculo, a voz da vovozinha aparece do além, questão levantada por uma pessoa da plateia. “Na verdade existe um bilhete que tinha na casinha, mas não tava lá, por isso a voz da vovozinha ficou do além”, explicou Paula Soares.

Atores e processo de criação dos personagens:

Pablo, um dos três porquinhos (Renato Mendes) – Participa da produtora há um ano e meio, não teve muita dificuldade de encontrar o seu personagem. “Eu tenho facilidade com improviso no texto, e vejo muito desenho infantil”, disse. Teve um pequeno laboratório, onde o diretor passava algumas coordenadas, porém ele dava seus ‘pitacos’ no texto e buscava o personagem dentro de si.

Leko, um dos três porquinhos (Douglas Marinho) – Participa da produtora há duas semanas, e sua construção de personagem foi vendo peças infantis no site Youtube.com. “O tempo foi a dificuldade, pois entrei pra substituir o Jonathan, tive que correr para fazer o personagem”, disse.

Fada madrinha e Mãe (Thayane Settecerze) – Participa da produtora há uns seis anos. “Costumo pegar coisas de televisão e de peças teatrais quando vou assistir, com isso, vou juntando e sai meu personagem”, disse. Sempre procura saber sobre presença de palco, e teve a dificuldade de interpretar a mãe e a fada. “Tive duas semanas para a criação do personagem, e não consigo colocar a voz mais grave para fazer a mãe, então por isso, tive que colocar outros trejeitos no meu personagem”, finalizou.

Chapeuzinho vermelho (Paula Soares) – Participa a seis anos da produtora. Como participa há mais tempo, conseguiu criar o seu personagem. “Eu queria fazer uma chapeuzinho que não fosse a tradicional, e que tivesse uma idade intermediária”, disse. Pegou algumas referencias de musicais, principalmente o “Into the woods”, um musical onde a chapeuzinho vermelha adora doce e é obesa. “Eu tive um tempo de criação para ter uma voz, uma criação do personagem, e durante os ensaios eu fui aprimorando até chegar num bom produto, no que eu achava legal”, afirmou.

Lobo Mal (Erick Malvão) – Criador da produtora, que tem oito anos de existência. “Não tive muito processo de criação, por que quando eu escrevi o texto, eu dei para um ator que encenou o Lobo por um tempo, e depois teve que sair por motivos pessoais, ou seja, peguei muito dele devido termos criados juntos”, disse. Como já tinha feito o lobo mal há uns anos atrás, quando fazia teatro em shoppings nos espaços infantis, juntou tudo e para compor seu personagem.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

História de sonhos e positivismo

No segundo dia do ‘Projeto Mostra Colisão’ foi apresentado o espetáculo teatral “O príncipe que tudo aprendeu nos livros”, da Cia. de Teatro Colégio Santa Mônica. O grupo, formado desde 1999, é proveniente de aulas de teatro ministrada por Mauro Marquês aos sábados no colégio. O texto é de Jacinto Benavente, que ganhou o Prêmio Nobel de literatura em 1922.

Sobre o espetáculo:

Rainha chorando após o Rei decidir que
o príncipe iria conhecer o mundo
Conta a história do Príncipe Azul (Natália Trotte), que após uma decisão do Rei (Diogo Santos), saí de casa em busca de conhecer a realidade do mundo, indo conhecer tudo sem o carinho que encontra em casa, dado pelos pais. Ao sair o príncipe encontra um mundo diferente que conhecia nos livros, principalmente dos contos de fada. Uma história infanto-juvenil que relata positivismo e sonhos, além da procura de um mundo melhor do que existe de fato. Aos trancos e barrancos, vai aprender sozinho a lidar com seus problemas.

“É um espetáculo para adolescentes, mostrando que o mundo não é um conto de fadas, mas devemos sempre levar o conto de fadas no coração”, afirmou Mauro Marquês, diretor do espetáculo. O texto do alemão Jacinto Benavente, escrito em 1909, foi adaptado por Mauro, onde culminou no surgimento do espetáculo. Além de a peça ser destinada ao público mais jovem, o espetáculo tem um elenco que varia de 11 a 18 anos de idade.

O processo da peça tem um ano de meio, com tempo de ensaio relativo a uma vez na semana, sempre aos sábados. “Apresentamos no final do ano de 2009 na escola, e em 2010 fizemos algumas outras apresentações como em Caxias e na FETAERJ”, explicou Mauro, após demonstrar sua vontade de entrar em cartaz com esse espetáculo até o meado do ano.

Sobre a Cia. Colégio Santa Mônica:

O grupo se renova sempre, devido alguns alunos ao sair da escola largar o teatro e seguir outros rumos, tendo um núcleo que já começou há quatro anos, outros que iniciaram a seis, e assim por diante. A Cia. conta com um elenco de alunos e ex-alunos do colégio. Porém teatro é feito de coletivo, e além das crianças que compõem a companhia, a ajuda de seus pais é fundamental. “Eu conto muito com a ajuda dos pais desses jovens atores, que inclusive, uma das mães que ajeitou todo o figurino”, disse Mauro. A escola também é um eixo fundamental neste processo cedendo o espaço para trabalharem no fim de semana, e com alguma infra-estrutura básica. “Penso que se todos os colégios tivessem um grupo de teatro a cidade iria ficar mais pulsante em relação ao mundo das artes cênicas”. Devido ser uma Cia. que surgiu e funciona dentro de uma escola procura-se trabalhar mais com teatro infantil e adolescente.

Natalia Trote, que interpretou o Príncipe Azul, faz parte a seis anos da companhia e estuda no Colégio Santa Mônica desde os quatro anos de idade. “O processo foi muito interessante, por que todo mundo quando leu o texto ficou muito eufórico”, disse. Como já tinha feito interpretações de personagens masculinos, queria encenar um feminino. “Quando eu vi que o príncipe falava de positivismo e sonhos, eu resolvi interpretá-lo”, afirmou.

terça-feira, 24 de maio de 2011

Os pecados

Neste ultimo domingo, 22 de maio, o espetáculo teatral "Sete cabeças" foi o segundo espetáculo apresentado no "Projeto Mostra Colisão". O projeto mostra colisão, é um projeto que apresenta gratuitamente espetáculos teatrais, e após os mesmos, três profissionais com experiência no campo artístico e cultural promovem uma oficina/debate sobre o espetáculo apresentado. O Colisão teatral vai do dia 22 a 29 de maio.
  
Sobre o Espetáculo:

Elenco do sete pecados participando da oficina/debate.
A ideia do espetáculo é falar um pouco sobre o conceito de pecados, dentro de um contexto filosófico e religioso, sendo que o lado religioso é ressaltado mais pela personagem luxúria, porém presente em todos os outros. Dentro dos conceitos, a briga é devido à diferença, que pode gerar desavenças e dores. O personagem “Você” (Wellington Fraga), para no tempo pra questionar em cima dessas coisas. A identificação do publico com alguns dos pecados, ou até mesmo todos, é notória no decorrer do espetáculo que tenta responder todos os questionamentos como: “Será que eu sou o certo e aquele é o errado?” e dentre outras.

No início do processo a ideia principal era colocar os personagens como os atingidos pelos pecados. “A gula seria gorda, tentaríamos colocar um figurino que ela aparentasse ser gorda”, disse Bruno Medsta. Sendo que no decorrer do processo de montagem, perceberam que o conceito de pecado que tinham em mente estava distorcido, e com as pesquisas foram adaptando. “Percebi que a gula tinha que ser magra, pois comia mais e com isso era mais elétrica e assim por diante”.

Histórico do espetáculo:
2008 – Estreia do espetáculo teatral no Espaço de Cultura Sylvio Monteiro
2009 – Participação do Encontrate (Encontro de artes cênicas da baixada fluminense)
2010 – Encenação no Teia Baixada.
2011 – Apresentação no Projeto Mostra Colisão

A apresentação no colisão teatral:

“A apresentação de hoje está meio desfocada na parte da cenografia, devido neste ano a companhia estar preparando o próprio espetáculo “Sete cabeças” em uma releitura, remontagem”, afirmou Bruno Medsta, diretor do espetáculo e quem escreveu o texto sete cabeças. As cadeiras estão sendo reformuladas. “Durante a semana corremos atrás do material para trazer o espetáculo para o Colisão, e ficar o mais próximo das montagens anteriores”, contou.

Atores e processo de criação dos personagens:
Grande parte são alunos das oficinas de teatro que brevemente estarão integrando na companhia teatral.

Você (Wellington Fraga) – Seu processo, presente desde o início, foi indo à casa de Bruno Medsta e acompanhar o andamento da criação do texto, até que decidiu ser o personagem ‘Você’ ao pedir para o Bruno. “Eu quis o personagem por ser um desafio e diferente de tudo que eu já fiz em cena”, afirmou. Buscou dentro de si, e assistiu alguns filmes como “Constantine” e “Advogado do diabo”, mas por fim, acabou encontrando dentro de si.

Gula (Juliana) – Participa desde o processo inicial, e também no processo da nova montagem. “Tivemos que redobrar os trabalhos com isso, o que faz ser uma loucura”, disse. Por não ser muito considerado pecado capital acaba sendo mais difícil, de acordo com a atriz, fazer a encenação. “A Gula é como se fosse nosso pecado favorito, de alguns pelo menos eu acho, o que deixou muito complicado achar o foco desse personagem, e ainda assim, não consegui descobrir, por isso eu encontro um ponto de apoio nos outros pecados para poder interpretar a gula”, afirma.

Ira (Brenda) – Começou com o espetáculo a duas semanas atrás, não participou do processo desde o início. “Pesquisei sobre meu personagem no livro e na internet, mas me indaguei em porque eu iria pesquisar no livro e internet, se esse pecado está em mim, se eu sei como acontece”, revelou, afirmando que achou mais valioso pesquisar dentro de si e observar as discussões que presenciava em seu cotidiano do que em qualquer outro lugar.


Preguiça (Raiane) – Está no espetáculo desde o início do processo. “Eu fiz a preguiça, o que me facilita muito; Por que eu acho que sou a preguiça em pessoa”, brincou. No processo de laboratório foi simplesmente se estudar. Ela, consigo mesma, pois afirma que a preguiça estava dentro de si.

Vaidade (Carol França) – Também desde o inicio do processo. “Eu pesquisei em internet e levei muita bronca, devido meu texto ter que falar tudo rimando e sendo que eu tinha que ter expressão”, disse a atriz. A personagem feita pela mesma, de acordo com ela, não tem nada haver com o que ela é pessoalmente.


Avareza (Gilmar Draull) – No processo desde o início, não conseguia se ver dentro de seu personagem. “Quando eu fui fazer a avareza, eu pensei: 'não é nada de mim'; Daí eu pesquisei e comecei a observar as coisas no mundo, e vi que todos nós somos obrigados a ser avarento”, afirmou.

Inveja (José Maximo) – Quando o mesmo ficou sabendo que seu personagem era a inveja, achou que seria uma coisa boba, mas nos ensaios percebeu que não era. “Percebi que a inveja não é só querer o que é do outro, mas sim, querer e fazer melhor”.

Luxúria (Monique Pires) – A personagem ‘Luxúria’ começa o espetáculo de pernas ao ar, pois tomou uma pancada na cabeça e sua personalidade fora modificada. “Há quanto tempo não vão à igreja?”, repete sempre a personagem. A atriz diz que se viu pouco em seu personagem.






Surgimento do Grupo Código:

O grupo código surgiu da “ONG Grupo Sócio-cultural Códigos”, localizada em Japeri. Tem várias atividades além de teatro e atualmente estão concorrendo ao edital “Cine Faces”. Iniciou através de um projeto chamado ‘tempo livre’ com o Sesc Rio tendo oficinas do grupo ‘Nós no morro’, que produziu a companhia de teatro em 2005, logo após mudança de Nilópolis, onde recebia as oficinas quinzenais do ‘Nós no morro’, para Japeri. Em seguida, 2007, resolveram fundar a organização para trabalhar em cima das atividades culturais. “Hoje somos um ponto de cultura, temos atividades intensas e até um ponto de leitura, que é a nossa biblioteca cultural”, disse Jorge Braga, coordenador de projetos da ONG.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Contos sobre a África

22 de maio, domingo. Iniciou o ‘Projeto Mostra Colisão’ com o espetáculo teatral “Misturando histórias em contos africanos”, da Cia. Misturando Histórias. O teatro do Espaço Cultural Sylvio Monteiro, localizado em Nova Iguaçu, estava cheio. Muitas crianças, inclusive, elas eram as que mais prestavam atenção na peça que misturava contação de histórias e teatro. O espetáculo é norteado por cinco contos africanos que são narrados por um contador de histórias africano, o Griot, que não se limitava a narrá-las.

Atrizes Sonia Lima e Josy encenando contos africanos
O nome da Cia. teatral foi sugerido por Sonia Lima, ideia vinda devido misturar a história das duas integrantes. A companhia sempre contou histórias de vários continentes, mas dessa vez, escolherão apenas um, no caso a África. Na escolha de quais contos irem para o espetáculo, foi pesquisado e buscaram histórias africanas na internet, e no processo de seleção de quais histórias iriam usar, após terem encontradas de 30 à 50 diferentes, escolheram 5 para a fase final. “Às vezes troca-se uma história ou outra quando fazemos o espetáculo, mas sempre são quase as mesmas”, contou Sonia.  

“O processo foi pronto para o Fundo Municipal de Cultura em 2009”, onde contabiliza cinco apresentações pelo fundo. Na parte de montagem, Josy e Sonia tiveram um músico para auxiliar, Maciel. “Ele trabalhou com todas as pesquisas de músicas de acordo com o que queríamos para o projeto”, afirmou Josy. Em cenografia, o responsável foi o Zito, que após elas mostrarem fotos da África e um parecer de como queriam, conseguiu chegar ao painel do espetáculo. O figurino também foi pelo mesmo caminho, porém a idéia não era deixar um lado somente africano, mas também misturar um pouco a história do brasil.

Elas praticamente são a válvula do espetáculo, sem elas nada funciona, aliás, são elas que dirigem, encenam, e fazem tudo do espetáculo. “Nos ensaios, nós duas nos reunimos sempre para estudar o texto, até que depois reuníamos todo o grupo para ver a composição do completo”, afirmou Sonia. Mesmo as duas sendo as diretoras, não se pode retirar o crédito do músico que também ajudou na direção cênica, ocupando também vários papéis.

Ao contrário de Sonia, existe uma linha de contadores de histórias que não gostam de misturar a linha de expressão deles com o teatro. Sonia trabalha há cinco anos com contação de histórias, e foi se juntando com a Josy, parte teatral, que todo o processo começou a andar. Em relação aos outros espetáculos da companhia, esse é o único a misturar objetos cênicos. “Isso revela uma mistura um pouco diferente, mostrando o desafio de ter modificado algumas coisas, e no amadurecimento do espetáculo”. Pode-se dizer que foi uma experiência, um laboratório, mostrando o desafio e o crescimento da companhia.